Sobre estágio de pesquisa

Ou mestrado/doutorado sanduíche em Québec.

Se você ainda não viu um post que fiz no comecinho do blog sobre Como eu vim parar em Québec, pode não saber que cheguei aqui pra fazer um estágio de pesquisa de 6 meses para o mestrado. Agora que dei um tempo pra você ler e entender como foi o processo todo vamos conversar sobre algumas impressões que eu tenho sobre o processo, já que deu para conhecer mais gente na mesma situação aqui na UL, mas com experiências diferentes. 

A primeira reação que eu tive quando soube que meu projeto de estágio tinha sido aprovado e assim que eu cheguei aqui e vi que "Meu Deus, é verdade! Tá rolando muito!" foi essa:

Você sente aquela satisfação interna que mesmo que você tente controlar com todas as forças acaba deixando escapar um tico.

Eu tive a alegria de cair em um departamento que o pessoal se ajuda da melhor forma possível. Meu orientador apesar de ser muito ocupado, com muitos projetos e pouco tempo, sempre que é possível vem conversar comigo, tira minhas dúvidas e é bem receptivo. Em vários momentos que eu me desesperei ele deu uma luz em como eu deveria seguir com a pesquisa. Além disso no laboratório onde eu fico outros dois professores sempre estão por lá. Graças a eles, que promovem grupos de pesquisa, em que os orientados deles (e quem mais tiver interesse) podem apresentar o problema que estão trabalhando, de maneira bem informal, para os demais ajudarem com sugestões para melhorar a pesquisa em geral, que consegui uma referência essencial para o meu trabalho! Justamente apresentando o esboço do meu projeto pra todo mundo e discutindo maneiras de abordá-lo. 
Pessoal, tô perdida nesse lance de pesquisa! Halp!
Conheci uma garota no francês que deu a sorte de ir para um laboratório que o professor é um pai além de ser referência absoluta na área dela. 
No entanto, além desses exemplos, também conheci gente que veio para estágio do doutorado e o orientador não deu a mínima. E não só uma pessoa em um departamento específico. Em um deles, o aluno já tinha tido a oportunidade de um estágio em uma universidade dos EUA em que a receptividade foi ótima e aqui ele e a orientadora (professora doutora da Unesp) não tiveram abertura nenhuma do professor local. Outro exemplo foi de um aluno que mesmo fazendo várias tentativas de aproximação, tentar participar de projetos abertos, etc o máximo que o professor fez foi emprestar um livro e mandar um e-mail pedindo-o de volta. 

Tipo hã? A pessoa se desbanca lá da terra do nunca pra poder trocar experiência com alguém e é ignorada? Não faz sentido pra mim. Nenhum. Acho que a academia, por mais complicado que seja lidar com ego, publicação e ego, ego, já falei ego? É um lugar de troca e construção de conhecimento. Essas coisas desanimam qualquer um. 
Sei que isso não é exclusividade da UL, que provavelmente (muito provavelmente) a UFPR, UFXX, tenham professores que ajam exatamente da mesma maneira, mas poxa vida. Vamos construir juntos, pessu! 
Fora isso, percebo que apesar dos pesares o Brasil ainda nos dá a oportunidade de termos um ensino superior gratuito e de qualidade. 
Aqui para um aluno de Québec cursar um ano de mestrado vão-se CAD $ 15.000 aproximadamente, para um canadense (não québecois) são quase CAD $ 20.000 e para um aluno estrangeiro quase CAD $30.000. Sem nenhum tipo de bolsa para auxiliar é grana a dar com pau!

Atualmente eu cheguei num ponto da minha pesquisa, que por falta de arcabouço teórico (ahahaha) em programação to meio "Socorro! O que eu tô fazendo aqui!?" Basicamente isso:

Mas como tudo na vida, vamos dar um jeito e fazer essa coisa toda funcionar até bater o desespero seguinte que é "O que fazer da vida agora?" que aparentemente segue como uma constante ali no sub-consciente.
 C'est la vie! 
Bisous!

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